Fachada principal do TNDM II Um Eléctrico chamado Desejo O Homem Elefante 1974 Snapshots: Histórias de Amor
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A Cacatua Verde
Sala Garrett
17 de Fev a 27 de Mar 2011
Fotografias
4ª. a Sáb. 21h30 Dom. 16h

“A Cacatua Verde” de Schnitzler é aparentemente uma peça histórica. A acção situa-se na noite de 13 para 14 de Julho de 1789, em Paris. Numa cave dos arredores de Paris, Próspero, um velho director de uma Companhia de Teatro, abriu uma taberna (A Cacatua Verde),onde a sua Companhia finge que não faz teatro, e cria a ilusão de uma verdadeira taberna de gente de mau porte, ladrões, pedintes, prostitutas,marginais,possibilitando aos nobres que a visitam a sensação, sem perigo, do contacto com o povo e com os episódios excitantes das suas violentas vidas. O processo complica-se quando, na noite da Revolução Francesa,a violência da realidade faz esquecer o processo de ilusão e a história que um dos actores inventou, que a sua mulher, também actriz, o trai sendo amante de um Duque, é entendida como verdadeira, o que leva esse actor a assassinar o nobre seu rival. Seja a razão do crime verdade ou fi cção, o crime acontece, mas a realidade da revolução faz com que o acto ciumento
do actor se torne num acto de heroísmo na defesa do povo revolucionário e triunfante. E a alegria do “Viva a Liberdade!” é vivida pelo casal como o fi m da sua felicidade.

A profunda ironia, própria de toda a obra de Schnitzler,torna a peça quase numa comédia em que o próprio teatro entra em jogo, antecipando os temas caros a Pirandello. Aqui, a tensão entre sonho e realidade,ou ilusão e verdade, adquire uma dimensão especial e particularmente interessante pelo facto de a tensão entre ficção e realidade incluir também a tensão entre a História e as consciências individuais, e tocar a própria noção de responsabilidade política. A taberna é uma Cave, o que remete para a imagem da Caverna de Platão e o próprio facto de o taberneiro se chamar
Prosper-Próspero remete para o processo ambíguo de “A Tempestade” de Shakespeare. Afi nal, como em Pirandello,a peça fala mais da vida que do teatro. Com a maior leveza e elegância, e num único acto de uma economia exemplar, Schnitzler desenha um teatro de sombras da própria Revolução, que é um prodígio de ironia na revelação da profunda complexidade do real.



de Artur Schnitzler
encenação Luís Miguel Cintra  
tradução Frederico Lourenço
cenário e figurinos Cristina Reis
desenho de luz Daniel Worm d' Assumpção
com João Grosso, Duarte Guimarães, Vítor d'Andrade, José Manuel Mendes, Luís Miguel Cintra, Luís Lima Barreto, Dinis Gomes, Ricardo Aibéo, Tiago Matias, Miguel Melo, Gonçalo Amorim, José Airosa, Sofia Marques, Rita Loureiro, João Pedro Vaz e Catarina Lacerda
co-produção TNDM II e TEATRO DA CORNUCÓPIA
O TNDM II está a realizar um Estudo de Públicos
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