4ª. a Sáb. 21h45 Dom. 16h15
A mão registou o momento. Protagoniza-o. A mão saberá de todos estes perigos, a mão vê? Que traz a mão de volta na imagem, a sua vertigem, o pulsar do mundo? A mão é cega como Édipo; a sua cegueira reside na determinação com que persegue um objectivo; essa determinação leva-a a conhecer a desdita. A mão não é amputada, apenas dispara nervosa e compulsivamente. A mão agita-se e regista, tornando-se registo contínuo. Se imaginarmos uma sequência de imagens, a partir do tópico proposto, tudo à nossa volta é Manuel na lagoa com os patinhos. Ficarás para sempre na lagoa com os patinhos Manuel? Que condenação é esta?
O amor liberta da prisão de imagens que a mão protagoniza? Ou, antes pelo contrário, formaliza o aprisionamento? Pode a abertura do amor a uma narratividade libertar do redil cúbico da imagem? Se o ‘snapshot’, enquanto redil, alimenta o amor, as histórias narradas libertam o ‘snapshot’ da sua condição inicial. No fundo, ver Manuel na lagoa com os patinhos é clicá-lo, com a mão meiga, como quem corta o cordão umbilical, só que desta vez Manuel não vem ao mundo, vai com o mundo. A vantagem deste ir com o mundo não é apenas o garante da liberdade de Manuel, da tutela do amor, mas do mundo como aventura. Isto pode querer dizer que “Snapshots: Histórias de Amor” é um convite à liberdade e à aventura.

texto e encenação Carlos J. Pessoa
dramaturgia David Antunes
cenografia e figurinos Sérgio Loureiro
desenho de luz Miguel Cruz
música Daniel Cervantes
com Ana Palma, António Banha, Fernando Nobre, José Neves, Maria Amélia Matta, Maria João Vicente e Miguel Mendes
co-produção TNDM II e Teatro da Garagem