No final de Maio, artistas dos quatro cantos do mundo rumam a Portugal para ocupar vários palcos de Lisboa e Porto.
De 21 de Maio a 9 de Junho, o alkantara festival acolhe cerca de 30 performances de dança, de teatro - e de tudo o que se encontra entre elas - de artistas oriundos da Argentina, Áustria, Canada, Croácia, Suíça, Egipto, Estados Unidos, França, Portugal, Bélgica, Japão, China, Países Baixos, Brasil, Espanha, Hungria, Nova Zelândia, África do Sul, Dinamarca, Equador, Grécia, Itália, entre outros.
Trazem as suas histórias locais e globais, sobre o universal e o particular, o passado e o futuro, lendas de beleza ou distúrbio num mundo em rápida mudança. Contudo, têm algo em comum: o desejo de entrar em diálogo com o espectador no esforço de compreender estes tempos desconcertantes e alcançar, talvez, algumas respostas; ou, mais provavelmente, reformular as nossas questões; ou, eventualmente, aumentar a confusão.
Vinte dias de performances inovadoras e estimulantes que irão desestabilizar as nossas perspectivas.
Na continuidade da parceria de edições anteriores, o Teatro Nacional D. Maria II é um dos principais co-produtores do festival, apresentando vários espectáculos nos seus espaços.
www.alkantarafestival.pt

uma iniciativa Alkantara Associação Cultural
estrutura financiada por Ministério da Cultura / Direcção-Geral das Artes
apoiada por Câmara Municipal de Lisboa
parceria EGEAC
co-produção São Luiz Teatro Municipal, CCB, Culturgest, Fundação Museu Oriente, Maria Matos Teatro Municipal, Museu Colecção Berardo, Teatro Nacional D. Maria II, Teatro Nacional São João
mecenato Fundação EDP
locais de apresentação Antiga Fábrica Simões, Centro Cultural de Belém, Cinema São Jorge, Culturgest, espaço alkantara, Fundação Medeiros e Almeida, Junta de Freguesia de Santos-o-Velho, Maria Matos Teatro Municipal Museu Colecção Berardo, Museu da Electricidade, Museu do Oriente, São Luiz Teatro Municipal, SCML Centro Social da Sé, Teatro A Barraca, Teatro Carlos Alberto, Teatro da Comuna, Teatro Meridional, Teatro Nacional D. Maria II, Teatro Nacional São João, terreiro das missas
FOREPLAY Mpumelelo Paul Grootboom - (África do Sul) 1 e 2 Junho | 3ª e 4ª 21h SALA GARRETT |
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Arthur Schnitzler, médico e dramaturgo austríaco, tornou-se famoso na Áustria do final do séc. XIX com o seu retrato acutilante da sociedade vienense anterior à Primeira Guerra Mundial. Foi amigo íntimo de Sigmund Freud, cujas teorias influenciaram determinantemente as peças de Schnitzler. A publicação de “Reigen” (A Ronda), em 1900, causou grande controvérsia. Foi escrito como dança de roda, com 10 cenas que ligam pares de amantes, antes e depois do acto sexual: a Puta e o Soldado, O Soldado e a Empregada Doméstica, a Doméstica e o Jovem, O Jovem e a sua Esposa. Na última cena, o círculo fecha-se: a Puta reaparece, indo ao encontro do Conde – “Reigen” incide, em grande parte, sobre a teia de relações que se estabelece entre poder e sexualidade. “Reigen” foi banida, acusada de pornografia e apenas 20 anos mais tarde levada à cena pela primeira vez. Cerca de 100 anos depois, o escritor e director sul africano Mpumelelo Paul Grootbom reescreve “Reigen” em “Foreplay”. Surpreendentemente, permanece bastante próximo da peça de Schnitzler, mantendo a sua estrutura circular. Porém, Grootboom transfere a acção para a África do Sul dos nossos dias. Partindo de conotações presentes na obra de Schnitzler, Grootboom associa de forma explicita a sexualidade na peça e as relações de poder entre os personagens – a pairar sobre a acção podemos pressentir o crescente perigo da SIDA. Com uma energia explícita e asfixiante, os seis actores - três mulheres e três homens - representam todos os dez personagens de uma forma bastante próxima da tradição dos contadores de histórias.

direcção e adaptação de “Reigen” de Arthur Schnitzler | Arthur Schnitzler’s “Reigen” Mpumelelo Paul Grootboom
cenografia e desenho de luz Wilhelm Disbergen
coreografia Israel Bereta
com Refilwe Cwaile, Koketso Mojela, Ntshepiseng Montshiwa, Mandla Gaduka, Sello Zikalala, Boitumelo Shisana
direcção de cena Zane Mashaba
idioma inglês, legendado em português
a classificar pela CCE
SE UMA JANELA SE ABRISSE Tiago Rodrigues - (Portugal) 2 a 5 Junho | 4ª a Sáb. 23h SALA ESTÚDIO |
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O que vemos, quando assistimos às notícias, às oito da noite, num canal de televisão? Uma proposta da realidade. Uma empresa de jornalismo diz-nos o que é importante no espaço/tempo de um dia. E diz-nos que aquela é a realidade de que fazemos parte. Uma realidade onde, regra geral, nenhum dos nossos pensamentos ou gestos diários estão registados. Tiago Rodrigues fez um primeiro esboço deste projecto que apresentou a solo no Teatro Maria Matos, em 2009, com o título “Outro dia”. Recorrendo à ‘dobragem’ de vozes, substituiu as palavras de um telejornal por outras palavras, as suas, na tentativa de contar a história de um outro dia. Esta primeira experiência continua a dar mote para esta nova produção. Substituir o discurso público pelo íntimo é o ponto de partida de “Se uma janela se abrisse”, um espectáculo que descobre formas alternativas de falar dos factos que são ‘notícia’. A partir daí, nasce um outro ‘jornalismo’, à escala humana de um palco, onde um olhar entre dois actores pode ter a mesma importância que o fenómeno do aquecimento global. O título do espectáculo nasce dos versos de Alberto Caeiro, ele próprio versão pública da intimidade de Pessoa: ‘Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora / E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse / Que nunca é o que se vê quando se abre a janela’.

texto e encenação Tiago Rodrigues
vídeo Bruno Canas, Tiago Rodrigues
sonoplastia e banda sonora DJ ALX
cenário, figurinos e luzes Magda Bizarro, Tiago Rodrigues
produção executiva e fotografia Magda Bizarro
interpretação Paula Diogo, Cláudia Gaiolas, Tónan Quito, Tiago Rodrigues, DJ ALX
idioma português, legendado em inglês
criação Mundo Perfeito
co-produção TNDM II e alkantara festival
a classificar pela CCE
HOT PEPPER, AIR CONDITIONER, AND THE FAREWELL SPEECH Toshiki Okada (Chelfitsch Theater) - (Japão) 5 e 6 de Junho | Sáb. e Dom. 21h SALA GARRETT |
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“Hot Pepper, Air Conditioner, and The Farewell Speech” é, segundo as palavras do seu autor Toshiki Okada, um drama contemporâneo sobre trabalhadores temporários. Este tríptico decorre num escritório, onde tudo gira em torno de Erika - a trabalhadora temporária, que brevemente vai ser despedida devido à recente crise. Em “Hot Pepper”, trabalhadores consultam um folheto chamado Hot Pepper para encontrar o restaurante apropriado para a festa de despedida da sua colega Erika. “Air Conditioner” apresenta a conversa entre dois trabalhadores a contrato – um homem e uma mulher que não partilham a ansiedade causada aos trabalhadores precários pelo despedimento de Erika. Durante toda a cena a mulher reclama porque o ar condicionado do escritório está muito baixo, enquanto o homem expressa cumplicidade para com a sua colega. “The Farewell Speech” encena as últimas palavras de Erika, pronunciadas cinco minutos antes do último dia do seu contrato. O discurso é proferido em frente dos seus colegas, reunidos em torno dela.

texto e direcção Toshiki Okada
interpretação Taichi Yamagata, Mari Ando, Saho Ito, Kei Namba, Riki Takeda, Fumie Yokoo
cenografia e direcção de som Ayumu Okubo
direcção de luz Tomomi Ohira
produção Akane Nakamura
idioma japonês, legendado em português e inglês
a classificar pela CCE